segunda-feira, 25 de março de 2013

Pai João de Aruanda

Pai João de Aruanda



Pai João de Aruanda se fez conhecer nos anos 70, quando se apresentou  como médium norte­americano, proveniente das terras do sul, onde fora senhor de
escravos. Na pátria espiritual, desejou reencarnar como negro e ver a escravidão do  outro lado da chibata. Aportou no Brasil em 1753, vindo da África. Nos coqueirais pernambucanos e na Bahia de Todos os Santos aprendeu  a extrair  da dor e da privação as lições que lhe fortaleceram o  caráter. Em mero ao sincretismo afro­  brasileiro, ganhou habilidade no manejo das ervas e das forças da natureza. Mostra­se como um ancião negro, barba e cabelos brancos, em geral com
um largo sorriso. Veste terno muito alinhado, acompanhado do crucifixo, símbolo da
iniciação espiritual, e da bengala que denomina caridade, representação de sua
autoridade moral e experiência. Mineiro, filho de Everilda Batista, Robson Pinheiro convive com sua mediunidade desde a infância, quando conheceu  o  Espírito Pai João de Aruanda
através de sua mãe. Após conhecer o Espiritismo, em 1979, receberia uma
comunicação de sua mãe através das mãos de Chico Xavier. Expressava o desejo de dar prosseguimento ao trabalho de auxílio que realizara quando encarnada. Nasceria
assim a Sociedade Espírita Everilda Batista, instituição onde Robson Pinheiro se dedica a atividades sociais e mediúnicas. Fundador também da Universidade do  Espírito e da Casa dos Espíritos Editora, tem diversos títulos mediúnicos publicados,
todos com os direitos autorais doados aos projetos de ação  social. Atua profissionalmente em seu consultório de terapia holística, em Belo Horizonte, MG. SABEDORIA DE PRETO­VELHO é um testemunho de fé na vida. Composto  por mensagens e reflexões, este livro é escrito no linguajar simples do ancião negro, que partilha a sabedoria adquirida no cativeiro. Pai João conversa a respeito de
alegria, coragem e jovialidade, perdão e trabalho. Discurso leve de otimismo  escancarado, mensagem de esperança de quem acredita no  poder do homem de
conquistar­se a si mesmo. Palavra amiga, conversa simples do negro que vê a
liberdade por trás das correntes que prendem o homem aos desafios da vida terrena. Texto enriquecido com cânticos dos escravos, comentados pelo médium Robson  Pinheiro, que elucida seu  significado espiritual e os ilustra com casos vividos durante os 30 anos de convivência como espírito amigo.


SABEDORIA DE PRETO­VELHO surgiu a partir de diálogos com o Espírito 
João Cobú, o amigo mais conhecido como Pai João de Aruanda. Além disso, reúne mensagens desse Espírito que vieram através de minha fala ou escrita mediúnica. O
companheiro espiritual se fez conhecer, primeiramente, através da mediunidade de minha mãe, Everilda Batista. Durante a minha juventude, na década de 1970, quando  eu  ainda me
encontrava ligado à igreja evangélica, tivemos contato com o  espírito, que se denominava Alfred Russell. Identificava­se como um médico norte­americano, que havia vivido nas colônias do sul, ainda no período escravocrata. Dr. Alfred Russel
fora homem de muitas posses, senhor de escravos. De volta à pátria espiritual, pediu  para reencarnar como negro. A pele escura lhe daria oportunidade de se redimir  perante a própria consciência –  experimentaria a escravidão do  outro lado da
chibata. Aportou no Brasil por volta de 1753, vindo de Luanda, na África, sua terra natal. Nos coqueirais pernambucanos pôde refazer escolhas do passado e, privado da
liberdade e do acesso à instrução  que tivera, conheceu  de perto a “mestra” dor. Ainda hoje Pai João reflete a respeito do sofrimento: “A dor é um instrumento de Deus muito mais eficiente que Pai João. Quando nego não consegue trazer um filho  para os braços de Deus, então vem a professora dor, que é infalível. Ela sempre traz os filhos de volta para os caminhos do Pai”.


Mesmo o negro mais viril não costumava durar muito na lavoura de cana­  de­açúcar, todavia, viveu mais de 50 anos. Deixou  dois filhos, que introduzira no  conhecimento do poder terapêutico das ervas. Após curta permanência no plano extrafísico, reencarna na Bahia de Todos os Santos em 1828. Espírito redimido, que soube extrair  da dor e da privação as
lições necessárias, João Cobú  escolheria novamente a pele negra como forma de
aprendizado sob o impacto da chibata viveria experiências que lhe fortaleceram
definitivamente o caráter. Nesta experiência física, havia conquistado o respeito dos
seus desde a maturidade; como ancião, tornou­se conhecido nas redondezas,
reverenciado por seus conhecimentos fitoterápicos, em contato com os cultos afro­  brasileiros da nação keto, ampliou sua habilidade no manejo das ervas e da magia, das quais extraiu  todo o potencial curativo. Trabalhou  em favor da comunidade,
relembrando seu  passado na medicina, e assim revestiu­se e profunda autonomia moral. Não faz muitos anos, tive contato com um representante de um terreiro na Bahia que, em suas memórias, guarda as histórias de um pai­de­santo chamado Pai
João. No ambiente repleto de magia e simbologia do sincretismo afro­brasileiro, Pai
João forjou sua maturação espiritual. Desencarnou  no ano de 1900, vítima de febre amarela, após dilatado  período de convalescença, aos 72 anos de idade. Apresenta­se à visão espiritual como homem negro de aproximadamente 60  anos de idade, envolvido numa aura suave, com tonalidades que vão do rosa ao lilás. Barbas e cabelos absolutamente alvos contornam­lhe a face, em geral marcada por  um largo sorriso. Sua figura é ao mesmo tempo imponente e singela. Costuma vestir  um terno muito bem alinhado, acompanhado de dois acessórios: o  crucifixo, que
simboliza tanto o sofrimento do passado como a ascensão espiritual, e a bengala —  à qual dá o sugestivo nome de caridade, que representa a autoridade moral e a
experiência do ancião. Como  Espírito protetor, suas advertências e seus conselhos sempre se

mostraram sábios. Através da mediunidade de minha mãe, Everilda Batista, marcava presença nas horas de maior gravidade. Foi sua mão  forte e companheira que
amparou minha mãe, nos desafios peculiares a uma mulher do interior das Minas Gerais que criou  14  filhos, entre eles 9  adotivos, durante toda a vida recebendo  menos de um salário mínimo. A simplicidade das palavras por ele utilizadas foi aos poucos ganhando meu 
respeito e admiração. A coerência de seus ensinos serviu  para aumentar  minha
confiança na Espiritualidade. Pai João é Espírito amigo e comprometido com a verdade e o bem, que jamais nos abandona: “Filho de Pai João balança, mas não cai. E se cair, nego já está no chão há muito tempo para amparar e amortecer a queda”. Severo, autêntico, veraz desde o início das atividades de nossa instituição, a Sociedade Espírita Everilda Batista, em 1992, tem­se feito marcantemente presente. Pai João transborda nestas páginas, que expressam alguns de seus conselhos e advertências, que têm feito a todos refletir bastante. São  palavras simples,
resultado de sua experiência de vida nada mais. Mas que tem provocado grandes
transformações em nossa maneira de pensar e agir. O Espírito Everilda Batista psicografou  CARAVANA DE  LUZ  através de Robson Pinheiro, livro lançado em 1998 pela Casa dos Espíritos Editora. O Espírito  amigo transforma lamentações em cantigas, e dor, em salmos. Diversas vezes tem se manifestado cantando seus versos, que trazem mensagens de fé, esperança ou alerta por trás da aparente inocência das palavras. Nas metáforas presentes nas cantigas se
esconde profundo  significado, que procuro comentar e interpretar, conforme ele mesmo me indicou e ensinou. Este é um trabalho escrito, de fato, a quatro mãos. De minha parte, espero trazer para os leitores um pouco da nostalgia e da poesia singela, cabocla e matuta do pai­velho, do médico e do amigo, que, desde o  cativeiro, tem se esforçado por compartilhar conosco um pouco da sabedoria
singular de um preto­velho.